Os primeiros registros de fenômenos elétricos remontam à Grécia Antiga, por volta de 600 a.C., quando Tales de Mileto observou que o âmbar atraía pequenos objetos após ser atritado com tecido. Por quase 2.200 anos, porém, a eletricidade permaneceu como um fenômeno curioso e estático, sem aplicação prática.
O primeiro avanço significativo veio em 1745–1746, com a invenção da garrafa de Leiden, criada de forma independente por Ewald Georg von Kleist e Pieter van Musschenbroek. Era um dispositivo capaz de armazenar carga elétrica estática, mas sua descarga era instantânea — incapaz de fornecer uma corrente contínua.
A virada decisiva aconteceu entre as décadas de 1780 e 1800, protagonizada por dois cientistas italianos. Luigi Galvani, professor de anatomia em Bolonha, observou que as pernas de rãs dissecadas se contraíam ao serem tocadas por dois metais diferentes, e propôs em 1791 a existência de uma “eletricidade animal”, produzida pelo próprio tecido vivo. Alessandro Volta, físico da Universidade de Pavia, discordou: para ele, a eletricidade não vinha da rã, mas do contato entre os dois metais diferentes, com o tecido animal funcionando apenas como um condutor úmido.
Para provar seu ponto, Volta eliminou o tecido animal do experimento e, em 1800, construiu a pilha voltaica: uma coluna de discos de zinco e cobre intercalados com discos de tecido embebidos em salmoura. Era o primeiro dispositivo da história capaz de gerar uma corrente elétrica contínua e estável, e sua invenção é considerada o marco de nascimento da eletroquímica moderna e da bateria elétrica.
Nas décadas seguintes, a pilha de Volta foi aperfeiçoada por diversos cientistas. Em 1836, John Frederic Daniell resolveu o problema da polarização — a queda de desempenho causada pelo acúmulo de gás hidrogênio — ao separar os eletrodos em compartimentos distintos, criando uma pilha mais estável e essencial para viabilizar o telégrafo elétrico, uma das primeiras grandes redes de comunicação do mundo.
Em 1859, o francês Gaston Planté deu um passo além ao inventar a bateria de chumbo-ácido, a primeira bateria recarregável da história. Sua invenção foi aperfeiçoada em 1881 por Camille Alphonse Faure, que desenvolveu um método de produção em maior escala — o mesmo princípio, com melhorias tecnológicas, ainda usado nas baterias automotivas atuais.
O século XX trouxe a busca por baterias mais leves, seguras e recarregáveis para alimentar uma sociedade cada vez mais eletrônica. Essa busca culminou, entre as décadas de 1970 e 1990, no desenvolvimento das baterias de íon-lítio: M. Stanley Whittingham construiu a primeira bateria de lítio funcional na década de 1970; John B. Goodenough dobrou seu potencial ao desenvolver o cátodo de óxido de cobalto e lítio em 1980; e Akira Yoshino criou, em 1985, o primeiro protótipo comercialmente viável, substituindo o lítio metálico puro por um material de carbono, muito mais seguro. A Sony comercializou a primeira bateria de íon-lítio em 1991, dando início à revolução dos eletrônicos portáteis. Em 2019, os três pesquisadores dividiram o Prêmio Nobel de Química pelo desenvolvimento dessa tecnologia.